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Radares Nas Rodovias: Solução Para O Trânsito Ou Problema Para O Motorista?

Radares nas rodovias: solução para o trânsito ou problema para o motorista?

Autora: Mídia.Crawl

Há quem diga que os radares nas rodovias contribuem com a segurança dos usuários do trânsito e há quem critique ferrenhamente o mecanismo: quem tem razão?

Desde o início de sua implantação, os radares para controle de velocidade têm gerado discussão. Por um lado, dados, estatísticas e especialistas apontam números que mostram sua eficácia na redução de acidentes e tragédias no trânsito. De outro lado, há quem considere que são apenas uma maneira extra de arrecadar dinheiro do contribuinte. 

A discussão voltou à tona com as recentes declarações do Presidente da República. Jair Bolsonaro. Ele afirmou, que recentemente declarou que vai desativar todos os radares de velocidade instalados em rodovias e engavetou 8 mil pedidos de instalação, nos últimos meses. E você, de que lado está nessa discussão?

Indústria das Multas?

Um dos motivos apontados pelo presidente para o anúncio foi o fato de que, segundo ele, as instalações têm como único intuito o retorno financeiro. O ponto de vista reforça a ideia de que os radares seriam, efetivamente, parte de uma suposta indústria das multas.

No entanto, não é o que as próprias concessionárias apontam. Após a declaração, a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) emitiu um comunicado oficial. Por meio dela, disse que as declarações de Bolsonaro passavam uma imagem negativa dos radares nas rodovias. Além disso, também foi afirmado que 100% dos valores arrecadados com as multas em rodovias são repassados ao Estado. Assim, quaisquer investimentos ficariam a cargo do Ministério da Infraestrutura, de acordo com o artigo 320 do Código de Trânsito Brasileiro. Ainda segundo o Código, cabe ao Contran (Conselho Nacional de Trânsito) fiscalizar e regulamentar a aplicação desse montante arrecadado.

Radares nas rodovias: são realmente efetivos?

Para o especialista José Aurélio Ramalho, diretor presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), a resposta é sim. Ele, que coordena a maior instituição social dedicada a desenvolver ações embasadas em estudos para reduzir os acidentes no trânsito brasileiro, acredita que “os radares estão ali para pegar o infrator contumaz, que leva duas, três, quatro multas no ano. Essa é a mesma pessoa que joga o lixo no chão, que não recicla seu lixo, ou seja, a infração está em seu DNA”. Ainda segundo Ramalho, a maioria da sociedade — 97% — não comete infração. As infrações ficam concentradas entre 3% e 4% dos motoristas no País todo. “Assim, se você tirar o radar estará beneficiando o infrator e não a sociedade do bem”, completa.

E não é só o ONSV quem pensa dessa maneira. Segundo um levantamento realizado pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), em 321 pontos de fiscalização, com radares nas rodovias, os acidentes diminuíram em 69% no período entre 2002 e 2007.

Enquanto isso, em outros países…

Além desses dados frutos de estudos no Brasil, há números em outros países que buscam provar a eficiência do uso de radares nas rodovias. Por exemplo, o IIHS (Insurance Institute for Highway Safety), renomada organização independente americana, apontou que a instalação de radares gerou uma mudança comportamental nos motoristas. O estudo, apresentado em 2014, indicou que as mortes por acidentes de trânsito foram reduzidas substancialmente na cidade de Montgomery, nos EUA. “Radares de velocidade fazem com que os motoristas tirem o pé do acelerador, e é menos provável que as batidas sejam fatais a velocidades mais baixas”, afirmou o presidente do instituto, Adrian Lund.

Estudo semelhante foi realizado pela universidade britânica London School of Economics and Political Science (LSE). Segundo os dados coletados, o número de acidentes na Inglaterra, Escócia e País de Gales caiu em até 39% no período entre 1992 e 2016. Já o número de mortes no mesmo período caiu em 68%. A prova da eficácia dos radares nestes casos é que as quedas ocorreram num perímetro entre 500 m e 1,5 km. “O estudo mostra claramente que as câmeras de velocidade reduzem tanto o número quanto a gravidade dos acidentes de trânsito”, concluiu Cheng Keat Tang, que liderou as pesquisas na universidade.

Para quem elegeu as estradas como morada, discussões como essas e outras relativas à segurança no trânsito são extremamente necessárias. Assim, esperamos que continuem sendo disseminadas as informações acerca de tudo que permeia a nossa segurança!

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