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O Futuro Do Mercado Brasileiro De Motorhomes E Trailers

O futuro do mercado brasileiro de motorhomes e trailers

Autor: Reginaldo Marcelo dos Santos

Mesmo com a economia desaquecida, nota-se no Brasil um leve aumento no número de motorhomes circulando por nossas estradas

O ser humano, em sua essência, é conhecido por ser desbravador. Não à toa, desde os primórdios de nossa existência saímos para explorar cada canto desse mundo. Talvez esteja aí a explicação para a nossa vontade de viajar e conhecer o globo, ou seja, trata-se apenas de uma necessidade antiga do ser humano que foi aflorada em alguns de nós. Ainda que essa seja somente uma hipótese, é difícil saber o real motivo dessas nossas andanças e viagens.

Temos a necessidade de viajar e explorar o mundo; isso é inegável. A isso, soma-se o fato de hoje termos à disposição meios de transporte que facilitam a vivência dessas aventuras.

Nesse contexto, viajar a bordo de um motorhome pode tornar essa experiência bem mais confortável, prática, intensa e segura. O que ocorre, no entanto, é que a jornada por meio de um veículo recreativo no Brasil é algo para poucos.

Dizem por aí que tudo que acontece nos Estados Unidos e na Europa rapidamente é copiado por aqui. Mas, nesse caso, o boom no mercado de motorhomes e trailers ainda não aconteceu; e olha que temos um território espetacular e totalmente propício para a prática desse tipo de turismo.

Onde se escondem os motorhomes

Mesmo não sendo tão explorado por aqui como em vários outros países, nota-se cada vez mais no brasileiro o desejo e a vontade de ter um veículo recreativo: seja ele um trailer, uma campervan ou um motorhome — mesmo que para viajar poucas vezes ao ano.

Em relação a quantidade desses veículos pelo mundo, estima-se que nos Estados Unidos a frota de motorhomes e trailers tenha ultrapassado a marca de 7 milhões de veículos; na Europa eles passam dos 5 milhões. Já no caso do Brasil, são aproximadamente 10 mil veículos recreativos, e boa parte está deteriorada, parada em vários cantos do país e sem a devida manutenção.

As empresas de fabricação, montagem e reformas de veículos recreativos enfrentam hoje vários desafios para se manter funcionando. Entre eles estão a baixa nas vendas devido à crise econômica, e a fabricação doméstica — “fundo de quintal” — de veículos, algo que vem aumentando exponencialmente.

Aquecimento do mercado

Em 2017 foi sentido um aumento de 15% nas vendas de veículos recreativos, o que movimentou, aproximadamente, R$ 85 milhões. Para se ter uma ideia, o valor de mercado de um motorhome novo varia conforme o tamanho, a tecnologia e a marca, existindo veículos para todos os gostos.

Atualmente, encontram-se no mercado brasileiro trailers com projetos e preços que variam de R$ 30 mil a R$ 100 mil para abrigar de duas a oito pessoas. Já no nicho das campervans, o valor total com o veículo e a montagem varia entre R$ 200 mil a R$ 600 mil. Para os motorhomes construídos sobre chassi de ônibus, sem incluir o valor do veículo, somente a montagem pode ficar entre R$ 250 mil e R$ 1 milhão. Ou seja, um mercado para saciar todos os gostos.

Apesar disso, no Brasil esse segmento também carece de assistência governamental. Isso porque a qualidade das estradas, o alto preço do diesel e dos pedágios, a segurança caótica e a falta de estrutura adequada para o acolhimento dos veículos em locais apropriados muitas vezes desanima o comprador.

Quando o assunto é o preço dos veículos, a conversa fica mais complexa ainda. Afinal,  empresas regularizadas pagam uma grande quantidade de impostos e taxas, encarecendo seus produtos e, obviamente, perdendo clientes para montagens de fundo de quintal.

As vantagens da economia compartilhada

O mercado de Turismo tem passado por algumas mudanças que podem beneficiar e ajudar no aumento das vendas de veículos recreativos. Essa tendência, conhecida como Economia Compartilhada, tem como função principal unir pessoas que possuam um objeto ou serviço e queiram compartilhar seu uso com alguém.

A utilização de veículos recreativos nos moldes da economia compartilhada pode favorecer vários proprietários de trailers, campervans, motorhomes e estimular a venda de novos veículos para pessoas que queiram comprá-los com a finalidade de uso para a prática de turismo compartilhado.

Ao menos nas redes sociais e até em aplicativos de reserva de hotéis, já é comum vermos vários anúncios e ofertas de veículos recreativos, nos quais os proprietários se oferecem para conduzir e levar os turistas ao destino escolhido. Porém, a falta de garantia para a realização da viagem, muitas vezes, inibe a contratação do serviço.

Assim, ao considerar todo o cenário descrito, será que esse segmento da Economia Compartilhada teria espaço no de veículos recreativos brasileiro, como aconteceu com o Uber e o AirBnB? Será que as concessionárias e os proprietários particulares de tais veículos entregariam os seus para um projeto que ainda está sendo testado?

Torcemos para que a resposta seja “sim”. Afinal, o mercado de turismo está sempre se reinventado e mostrando que ainda há muito espaço para ser explorado.

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