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Compartilhando Experiências: Grito De Liberdade

Compartilhando Experiências: Grito de Liberdade

Autora: Mídia.Crawl

O Projeto “Grito de Liberdade – do Brasil para o Mundo”  nasceu em 2016 com o objetivo de mostrar o cotidiano de um casal que largou suas vidas para viajar a bordo de um motorhome em busca de novas culturas e experiências. De repente, o que era para ser um caminho para a descoberta interior, se tornou um propósito de vida. Quer saber mais sobre essa aventura? Acompanhe essa entrevista exclusiva da Wheelstels.

Erick Ribeiro é formado em engenharia civil. Ele nasceu na periferia e, sob comando da sua mãe, que sempre o incentivou a estudar para ter oportunidades na vida, literalmente comeu as folhas do caderno para aprender a tabuada. Debora Andreta é enfermeira. Também de família humilde, se formou na mesma época de Erick.

Foi na faculdade onde eles se conheceram, há 11 anos. Em 2014, completando três anos de casados, tinham a vida profissional e financeira estável quando começaram a questionar seus reais propósitos de vida. Foi quando começaram a elaborar o plano de vida que tiraria suas rotinas daquilo que a sociedade impunha como “normal”: casar, trabalhar, ter filhos e construir uma casa. O objetivo: conhecer novos horizontes. “Não saímos para fugir de nada. Mas para entender nosso propósito de vida”, completa Erick. “Tinha uma Débora presa em mim que não sabia como sair. Ela queria gritar, era só isso que eu sabia. Foi assim que nasceu o projeto Grito de Liberdade: de um incômodo. Um desejo por ‘algo a mais’”, revela a enfermeira.

Dono de um perfil racional, Erick admite que elaborar um planejamento para que pudessem mudar de vida foi parte indispensável para essa guinada. E para isso foram necessários dois anos até que a partida acontecesse. 

Nesse meio tempo, a preparação foi intensa: “financeiramente, emocionalmente e fisicamente”, explica o engenheiro. “Sabíamos que o ponto de partida para esse grito de liberdade era aprender o inglês, já que a língua nos permitiria a comunicação e o envolvimento com novas culturas. Os próximos passos eram desconhecidos. Desenhei ao menos 13 cenários para a nossa viagem para o Canadá, que depois evoluiu para a Irlanda, onde desenhei outros 9 cenários para que pudéssemos nos preparar para o desconhecido”, conta.

( Imagem: Arquivo Pessoal )

 

A viagem começa

No dia 31 de janeiro de 2016 o casal saiu do Brasil para dar o primeiro grito de liberdade. Nessa época, o motorhome ainda não se encaixava em nenhum dos cenários premeditados. “Neste ano conhecemos nossos limites. Quando você sai da sua zona de conforto, é você com você mesmo e isso é muito desafiador, por mais preparado que acredite estar”, admite Érick.

Em partes eles estavam certos: a dificuldade na comunicação por conta da língua foi um dos grandes obstáculos logo na chegada à Ilha de Esmeralda. Quanto aos outros desafios, eles não se encaixaram em nenhuma das premeditações, porém foram cruciais para que Erick e Debora não desistissem dos planos e, principalmente, não perdessem o elo que os unia como casal. “Sempre fomos muito sistemáticos com as mudanças, por isso conhecer nossos limites nos ajudou a lidar com o desconhecido com mais naturalidade. Certamente, passamos aceitar melhor as mudanças”, reflete Debora. 

Com tantos objetivos traçados, eles não tinham tempo a perder. Assim, logo encontraram oportunidades para melhorar o inglês vivendo com uma família local e juntaram dinheiro trabalhando em outras áreas.

Outra estratégia traçada e que se realizou foi o desenvolvimento e aprimoramento de habilidades que permitissem a eles gerar renda sem depender de outras pessoas e de lugares específicos. Foi assim que Érick se apaixonou pela fotografia e passou a trabalhar profissionalmente com isso, enquanto Debora aflorou seus dons musicais e se tornou uma artista de ruas, embalando o público na sua voz pela Grafton Street e arredores.  

 

Grito de Liberdade

Foi literalmente “no caminho” que o casal encontrou aquele propósito que tanto almejava em 2014, quando o planejamento começou. “Com o tempo percebemos que o que era um preparo para algo a mais se tornou a nossa motivação. No caminho encontramos o propósito de ajudar outras pessoas”, conclui Debora.

Dessa forma, o canal Grito de Liberdade — inicialmente criado com o intuito de compartilhar a experiência com familiares e amigos — se tornou uma comunicação com o mundo. “Com o tempo, pessoas passaram a nos procurar pedindo orientações para iniciar uma aventura semelhante. Foi quando passamos a nos dedicar mais inteiramente ao canal. Eu aprendi a editar, e começamos a produzir vídeos 2x por semana”, revela a enfermeira que na jornada se tornou também Life Coaching. “No início, o que contava era o contato com as pessoas. Depois, entendemos que estávamos nos tornando inspiração. A internet escala essa possibilidade e nos permite contribuir de forma ativa para o plano dessas pessoas que nos tem como espelho”, observa.

Apesar de contribuir para o propósito de vida encontrado pelo casal, o canal Grito de Liberdade ainda não conta com patrocínios e pretende se manter assim até ter certeza de que a sua liberdade não será comprometida por essa decisão. “No entanto, percebemos que nossa audiência tem crescido e por isso nosso próximo passo é investir no site, o qual está parado. Nosso intuito é trazer mais conteúdo informativo para quem busca orientação para encarar a vida como nós. Também estamos organizando alguns cursos online”, revela Érick, vislumbrando as portas abertas pelo ambiente virtual para quem opta por uma vida nômade.

( Imagem: Arquivo Pessoal )

O motorhome

O próximo passo dessa jornada aconteceu 9 meses após a primeira partida. O objetivo era utilizar o dinheiro arrecadado na Irlanda para realizar um mochilão pela Europa. “Estávamos fazendo nossos planejamentos financeiros quando um amigo que a Irlanda nos deu, Gabriel Frasson, sugeriu que viajássemos de motorhome. A gente nem sabia o que era isso, mas começamos a pesquisar. Fiz as contas e notei que gastaria o mesmo valor se investisse em um motorhome ou se decidíssemos continuar com o plano do mochilão por trem, avião e hostels. A diferença é que teríamos liberdade e mobilidade o suficiente para irmos para onde quiséssemos, quando desejássemos”, conta Érick.

Foi assim que em 7 de março de 2017 o casal chegou à Holanda, onde estava localizado o veículo previamente negociado pela internet, porém nunca antes visitado. “Chegamos lá e nos deparamos mais uma vez com a barreira da língua, já que o mecânico que nos explicaria o funcionamento do motorhome era Polonês e não falava inglês. Isso nos rendeu 15 dias de viagem sem a geladeira, já que não sabíamos como ligá-la”, lembra, aos risos, Erick.

Assim começou a jornada com a fiel escudeira, uma Fiat Ducato 1994. Para se acostumar ao veículo e à nova rotina, o casal permaneceu em solos holandeses por um mês para então partir. Em 9 meses de estrada, já haviam visitado 11 países, 75 cidades e convivido com mais de 150 pessoas. “De lá para cá foram tantas pessoas que já perdi as contas”, admite Érick. “Quando você tem tempo para olhar para você e para o próximo isso te ajuda a amadurecer. Você não consegue mais se encaixar nos moldes da sociedade”, admite Debora, lembrando que por isso a jornada iniciada em 2016 não tem data nem lugar para acabar.

 

Financiando a liberdade

Como você já sabe, o planejamento sempre foi o ponto alto dessa jornada. Portanto, mesmo ainda sem gerar renda pela internet, o casal pretende chegar muito longe. “Uma parte da nossa viagem é financiada por investimentos no Brasil. Outra parte é completada com trabalhos de consultoria financeira que ofereço. A Debora faz também atendimentos online de programação lingüística e life coaching”, explica Erick.

Dentro do propósito de vida identificado, o casal também se dedica a palestrar. “O tema principal é ‘Como usar o dinheiro como um facilitador de seu sonho’. Afinal, conhecer o mundo de motorhome é o nosso estilo de vida; gostamos disso e ficamos felizes em encontrar pessoas que queiram encarar essa jornada. Mas, cada um tem uma necessidade diferente. Entendemos que antes de qualquer decisão, cada um precisa se encontrar”, resume Debora.

Com tanto trabalho pela frente, o importante é que eles nunca perderam o foco e por isso o tempinho para apreciar a vista é parada obrigatória do dia. “Não adianta querer trabalhar o tempo todo. Essa é uma das liberdades que nos faz apreciar essa vida. Além disso, é claro, o fato de não termos limite geográfico”, conta ela.

( Imagem: Arquivo Pessoal )

 

Compartilhando experiências

Dentre os aprendizados adquiridos pelo casal ao passar a viver em uma casa móvel, está o desapego material. “Abrimos mão de algumas coisas fúteis como assistir televisão o tempo todo ou secar o cabelo, para dar valor à natureza e aprender, por exemplo, o trajeto do sol em cada nova parada”, admira Debora.

O conforto, segundo eles, não deixa a desejar. Não dá para negar, no entanto, que viver em um motorhome pode ser uma constante caixinha de surpresas. Para evitar tantos imprevistos, contar com uma boa infraestrutura na estrada é crucial para o sucesso da viagem. O abastecimento de água, por exemplo, deve ser uma das prioridades, sempre, segundo Erick.

Quanto à segurança, uma das grandes preocupações nas viagens de VR no Brasil, o casal explica que na Europa, onde a cultura é mais consolidada, essa não é uma preocupação prioritária. Mas, é sempre importante estar alerta às mudanças culturais de país para país. “No começo, tínhamos a cultura da violência vivida no Brasil muito forte e por isso o medo era constante. Qualquer barulho atrapalhava o nosso sono. De fato, vivenciamos algumas experiências assustadoras, como quando pegamos uma chuva muito forte já na primeira semana de viagem, na Holanda, e o motorhome balançava sem parar. Ou quando optamos por parar em um local não próprio para motorhome na França e um bando de jovens balançou o nosso carro ou ainda em outro momento quando alguém levou nossa bicicleta. Mas, não é sempre que acontece”, reforça Debora.

Outra situação que não é exclusividade do Brasil é a questão da discriminação. “Principalmente na Alemanha e França, tínhamos receio de que nos vissem como gypsies

(ciganos), pois sabíamos que muitos lugares tinham medo desta comunidade e por isso inicialmente poderiam ter medo de se aproximar, então tomamos cuidados com nossa aparência e sempre nos apresentamos aos vizinhos de Motorhome para evitar mal entendidos. A questão é que por aqui são pessoas mais velhas que tem a cultura de viajar de motorhome e quando se deparam com um casal jovem como nós, a comunidade tem receio de nossas intenções”, conclui Érick.  

“As pessoas batem na porta, sim. Olham pela janela. Mas, é mais uma questão de curiosidade do que má fé”, acredita Debora. “Aprendemos que muitas vezes você passa por muitas experiências boas depois de superar o medo”, finaliza.

E aí? Se inspirou um pouquinho mais? Se você quiser acompanhar o dia a dia desse casal ou saber mais sobre as consultorias acompanhe os canais Grito de Liberdade (Instagram, Facebook e Youtube).

 

This Post Has 3 Comments
  1. Ola lindo casal

    Adorei a aventura e a espetacular experiência de vocês .E o principal este partilhar de V/ Experiencia. com as pessoas , fazendo com que elas tenham mais motivação, autoestima, e vontade de concretizar seus sonhos..

    Adorei a visita em V/casa. de aventura mas com rico conhecimento que numa casa normal com infra estrutura , com todo conforto talvez não teria.

    O V/ Grito de Liberdade não faz bem não só para vocês para poderá fazer tambem para milhares de pessas .

    Foi bom participar de v/ palestra e ter um mucadinho de contacto enriquecedor com estas duas lindas maravilhas que são vocês .

    Obrigada por tudo aprendi muito com V/ experiência.

    Que Deus continue guiando os V/ passos .

    Bjihos.

    Lindomar Viana.

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