skip to Main Content
Estilo De Vida: Me Leva De Leve

Estilo de Vida: Me leva de leve

Autor: Mídia.Crawl

Responsáveis pelo projeto Me Leva De Leve, desde 2005 a gaúcha Julia e o paulista Douglas Sawaki relatam nas mídias sociais suas experiências pelo mundo e compartilham sua paixão por viagens. Mais recentemente, porém, lançaram o desafio de conhecer a América do Sul sobre rodas, em uma viagem que durará 6 meses.

O projeto Me Leva De Leve teve início quando, pouco depois de se conhecerem e se casarem, Julia e Douglas foram morar no Japão. Quatro anos mais tarde, eles voltaram. Mas, “o mundo ficou pequeno e os assuntos cada vez mais amplos”, como diz a descrição do blog. Assim, o canal continuou ativo, trazendo dicas e experiências relacionadas a esse universo.

Recentemente — em fevereiro deste ano — o casal deu início a uma nova aventura: uma viagem de carro por 6 meses pela América do Sul. O objetivo é conhecer o Brasil e outros países do subcontinente (Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia e Peru), enquanto trabalham como nômades digitais.

Até agora já foram mais de 50 dias de viagem. Entre uma trilha e outra e a realização do primeiro sonho de conhecer o Ushuaia, realizamos essa entrevista virtualmente. E embora a aventura esteja somente começando, muita coisa já aconteceu e foi vivenciada pelo casal. Curioso? Acompanhe nosso artigo!

Sonho antigo, experiência nova

A aventura de viajar sobre rodas por 6 meses é recente, mas o desejo de desbravar o mundo de carro é uma ideia há muito tempo presente no íntimo do casal. “Desde quando nos conhecemos, há 17 anos. Estávamos no início da universidade no curso de Turismo e Hotelaria, não tínhamos condições de bancar uma viagem assim. Nem o carro nós tínhamos. Depois de formados ficamos sem tempo, trabalhávamos o dia todo e muitos finais de semana e feriados também. Foi quando decidimos ter nossa própria empresa, com a conexão à internet como único item imprescindível para o trabalho, que vislumbramos a possibilidade de estar em qualquer lugar, a qualquer hora”, conta Douglas.

Foi assim que, em novembro do ano passado, o antigo plano voltou a ganhar força. Foram muitas horas por dia detalhando o roteiro, pesquisando sobre motorhomes e campervans e descobrindo como outros viajantes vivem na estrada para que pudessem formatar sua própria experiência. “Saímos do apartamento que era alugado, vendemos algumas coisas, guardamos outras na casa dos pais. Não somos consumistas, mesmo assim, é difícil selecionar o mínimo necessário de roupas e calçados para uma viagem tão longa. O espaço é limitado e cada item deve ser realmente útil. Além disso, na campervan não há banheiro, nem cozinha, e não dá para ficar em pé. Isso muda muita coisa. Ter consciência do que isso acarretaria ao longo de 6 meses foi bastante complexo, tanto que só decidimos viajar de campervan quando nos convencemos de que era possível viajar sem ter banheiro nem cozinha no carro”, ressalta o nômade digital.

Mas, engana-se quem acredita que por serem donos de um sonho antigo estariam mais preparados para o que estaria por vir. “Antes da viagem, nunca estivemos 100% preparados psicologicamente para toda essa mudança, de não ter endereço fixo, morar numa campervan, viajar e a cada dia estacionar nossa casa em um local diferente. Ser minimalista a esse ponto era um desafio. Várias vezes nos perguntamos se era isso mesmo. Se tudo isso valeria a pena”, admite Julia.

Prestes a concluir a primeira etapa da viagem — que teve como marco a chegada ao Ushuaia — as impressões já começaram a mudar: “Primeiro, ao ver a campervan ficando pronta e depois nas dificuldades e nas alegrias de viver na estrada, um pouco por vez nos sentimos mais confiantes, mais preparados. Foi e está sendo um aprendizado contínuo. Além dos nossos seguidores e leitores que nos dão muito apoio, sempre tem uma palavra amiga que nos motiva nos momentos mais difíceis”.

Foto: Me leva de leve (arquivo pessoal)

Adaptando o carro

Como tantos outros viajantes com os quais já tivemos contato, a liberdade e a flexibilidade da viagem de carro também foi a principal motivação na escolha do meio de locomoção de Douglas e Julia. “A sensação de poder ir onde quiser e quando quiser é libertadora. Pensamos que todos devem sentir isso em suas vidas, ao menos uma vez. É uma experiência que marca pra vida toda”, avisa Julia.

Dessa forma, você já deve imaginar o peso da escolha do carro ideal ainda no início do projeto. Douglas não desmente: “A escolha foi demorada. Como primeira opção, pensamos na tradicional e sonhada Kombi, mas colocando no papel os prós e contras, chegamos à conclusão de que não valeria a pena investir nesse carro. Primeiro porque o consumo de gasolina é muito alto, segundo porque quebra muito e terceiro porque não é nada confortável dirigir uma kombi várias horas por dia. Também consideramos a Peugeot Partner e a Renault Kangoo, mas a Doblo Cargo era a opção com mais prós da lista. O consumo de gasolina é muito bom na estrada e na cidade, quebra menos e se quebrar é mais fácil de repor as peças pelo caminho. É um carro confortável e espaçoso, com boa altura e largura, além do formato mais quadrado, o que ajuda a construir a campervan”.

Mesmo com o modelo decidido, não foi fácil encontrar o carro ideal, pois quando encontravam os opcionais desejados, o veículo estava ruim em outros aspectos. Quando estava bom, faltava algum outro item. “Quando estava bom e tinha os opcionais, era acima do preço que poderíamos pagar”, lembra ele.

Dois meses mais tarde, finalmente o carro ideal apareceria com ótima mecânica, suspensão e funilaria relativamente nova, pouco rodado, com airbag e freio ABS, mas sem ar condicionado: “resolvemos comprar assim mesmo e depois ver o que fazer com o calor. Foi quando colocamos a mão na massa para fazer a conversão da Doblo Cargo em Doblo Campervan”. Acordando às 5 horas da manhã e indo dormir lá pela meia noite, a missão foi concluída em dois meses. “Foi cansativo, mas só de pensar nas experiências e nos lugares que nos aguardavam, a motivação vencia o cansaço”, recorda, animado, o viajante.

Com o escritório móvel pronto e a garantia de que poderiam continuar a atender aos clientes de qualquer parte do mundo, foi concretizada mais uma etapa rumo à viagem pela América do Sul.

Foto: Me leva de leve (arquivo pessoal)

Definindo o roteiro

Como você já deve saber, a definição do roteiro é outra parte essencial no planejamento de uma viagem, especialmente quando se tem tantas opções de parada pela frente. Para o casal em questão, alguns destinos já faziam parte do sonho desde o início e não poderiam ser excluídos. “Ushuaia, Carretera Austral, Salar Uyuni, Machu Picchu. Colocamos eles no mapa e começamos a identificar o que há de interessante, bonito ou diferente nas cidades do caminho. Assim a lista de destinos foi crescendo”, recorda Julia.

O segundo passo nessa organização incluiu o cálculo de distâncias confortáveis para dirigir por dia, com paradas programadas para descanso em algumas cidades não-turísticas. A duração da estadia em cada cidade foi feita com base na quantidade de atrações e no custo local.

Foi assim que no dia 23 de fevereiro eles partiram, de São Paulo até Santo Ângelo (RS). “Estávamos em modo teste do carro, pois temos parentes entre essas cidades. Assim fomos arrumando o carro e adaptando o que fosse necessário”, revela o paulista.

Como a construção da campervan demorou mais do que o esperado, a viagem foi acelerada até o Ushuaia, onde chegaram no dia 1 de abril. “Isso foi necessário para que não chegássemos na cidade mais austral do mundo com muito frio. Mas, a partir de agora, pelo menos no que estamos replanejando, vamos percorrer distâncias menores e ficar mais dias em cada destino até chegarmos de volta a São Paulo em agosto deste ano”, avalia Douglas, colocando em ação a flexibilidade desde o início adquirida.

Foto: Me leva de leve (arquivo pessoal)

Mudanças no caminho

Não foi esse o único improviso exigido até agora. “No primeiro dia depois do último destino de teste da campervan, ainda no Brasil, o carro quebrou. Acionamos o seguro, mas foi bastante desgastante pelo tempo de espera do guincho em uma estrada isolada, e ao anoitecer. Depois, no caminho do Ushuaia, o carro começou a fazer barulho. Felizmente, encontramos com um mecânico-viajante que nos ajudou a resolver o problema. Ele viaja em uma caminhonete com a família e vai consertando carros pelo caminho”, conta.

Sem estrutura de banheiro ou cozinha, a questão das paradas e pernoites, que também são essenciais no sucesso de uma viagem de carro, também surpreenderam o casal.  “Como no começo da viagem não encontramos campings ideais para as nossas necessidades, adaptamos outra forma de viajar. Algumas vezes estacionamos em frente a hostels e usamos a estrutura deles. Outras vezes dormimos em postos de combustível, comendo em suas lojas de conveniência ou restaurantes da cidade. E também em locais públicos onde motorhomes e campervans costumam estacionar. Além disso, queremos conhecer hospedagens diferentes e interessantes, então também nos hospedamos em hotéis. Enfim, planejamos de uma forma, mas hoje não temos restrição nenhuma. Cada lugar nos proporciona uma experiência diferente de pernoite”, admite a viajante.

Assim, dia após dia vivendo de perto tudo aquilo que não passava de um sonho, Douglas e Julia vão levando a vida de leve e adicionando novas experiências em sua bagagem que, embora com pouco espaço, parece sempre ter um cantinho de sobra para agregar novos aprendizados. “É só quando você cruza fronteiras dirigindo, vê placas em outro idioma, conversa com policiais estrangeiros, que sente que realmente pode ir onde quiser. E isso muda todo o seu sentimento com relação às distâncias, as dificuldades e as barreiras. Tudo muda, mesmo que ainda não percebamos perfeitamente essa mudança. O roteiro já mudou, o tempo de estadia em cada cidade também. Enfim, mudou o principal da viagem e estamos totalmente confortáveis com isso. Depois de pouco mais de um mês viajando na campervan, acreditamos que agora sim a ‘chave virou’. Agora nos sentimos viajantes livres pelas estradas da América do Sul”, concluem.

 

Quer acompanhar essa viagem em tempo real? Adicione  Me Leva De Leve nas redes sociais! (Instagram, Facebook, Youtube e também pelo site)

 

Imagens: Le Leva De Leve

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top